Quem somos

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Missão

Apoiar e desenvolver ações para a defesa, elevação e manutenção da qualidade de vida humana, dos recursos naturais e do meio ambiente rural e urbano, através de atividades, programas e projetos de educação ambiental, pesquisas científicas básicas e aplicadas, formação profissional especial e formal, visando a preservação, a conservação e o manejo ambiental.


Histórico

Em 1905 o rio Purus evocava a percepção de Euclides da Cunha sobre a presença do homem na floresta amazônica “era ainda um intruso impertinente, porque chegava sem ser esperado nem querido - quando a natureza ainda estava arrumando o seu mais vasto e suntuoso salão...”

A riqueza e diversidades biológica e cultural do rio Purus e a importância econômica de seus recursos naturais em relação a outros rios amazônicos já era exaltada nos registros dos primeiros viajantes do seu curso, cuja fartura vertiginosa dos tabuleiros de tartarugas, dos pirarucus e peixes-bois impressionou seus narradores. Tamanha foi a escala de utilização econômica de tais recursos ao longo dos séculos que, em 1944, Nunes Pereira, escritor e representante da Divisão de Caça e Pesca do governo alertou sobre a extinção destas espécies em seus estudos no baixo Purus e propôs o estabelecimento de uma série de regras de manejo para o uso dos recursos naturais, aliado a criação de reservas na região para a conservação destes.

A população humana na região onde hoje é a RDS-PP é estimada entre 5.000 a 6.000 habitantes que tem como meios de sobrevivência a prática da agricultura, a exploração de recursos como o peixe, a castanha, produtos madeireiros e não-madeireiros e a caça de animais silvestres. Essas pessoas não poderiam ser negligenciadas nem esquecidas pelas autoridades. Pensando nisso, buscou-se uma alternativa dentro das diferentes categorias de unidades de conservação incluídas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O modelo de Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) foi o mais adequado a ser proposto para a nova área, pois tem como principal objetivo promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas que lá residem através de alternativas parcimoniosas de uso de recursos da biodiversidade, de modo a garantir a sua conservação. 

Quase 60 anos mais tarde, no início do século XX, as questões conservacionistas tomavam impulsos extraordinários no Estado do Amazonas. Durante o Workshop Conservação, Monitoramento e Manejo de Jacarés no Estado do Amazonas ocorrido em Manaus, em outubro do ano 2000, aconteceu a primeira reunião de discussão sobre a possibilidade de criação de uma Unidade de Conservação Estadual do tipo RDS na região do Purus. Neste encontro estavam presentes o então presidente do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Dr. José Márcio Ayres (in memorian), juntamente com os pesquisadores e professores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Wildlife Conservation Society (WCS). Desta reunião surge então a semente de criação da RDS Piagaçu-Purus. Coordenada pelo Dr. Ronis Da Silveira (UFAM) e com a participação de pesquisadores e técnicos do INPA, UFAM, Projeto Dinâmica Biológica de A população humana na região onde hoje é a RDS-PP é estimada entre 5.000 a 6.000 Fragmentos Florestais (PDBFF), Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) parte em junho de 2001 a primeira expedição para a região do baixo rio Purus com o apoio financeiro da WCS, Department for International Development (DFID) e do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (IPAAM), visando a consulta pública às comunidades ribeirinhas sobre a idéia de criação de uma RDS na região.

Na ocasião da primeira expedição, foram realizados os primeiros levantamentos sobre peixes, jacarés, anfíbios e mamíferos aquáticos, revelando uma região rica na sua biodiversidade e que ainda se encontrava em um bom estado de conservação. Os resultados desta expedição foram as bases para o estudo de caracterização da proposta de criação da RDS Piagaçu-Purus enviada ao IPAAM, na época, instituição máxima responsável pelo meio ambiente do Estado. 

Em 5 de setembro de 2003 é criada a RDS Piagaçu-Purus, com pouco mais de um milhão de hectares, em 08 de setembro de 2003. Em 2004 essa área é reduzida em função do decreto de criação da Terra Indígena Itixi-Mitari, de etnia Apurinã, pela Fundação Nacional do Indio (FUNAI). A RDS Piagaçu-Purus passa, assim, a contar com seus limites numa área de 834.245 hectares. 

O Instituto Piagaçu (IPi) foi criado em 2004, em parceria com a Wildlife Conservation Society (WCS), com o objetivo de atuar priritariamente na área da RDS-PP. Desde então, várias parcerias tem viabilizado a execução das atividades de cunho técnico-científico e extensionistas no contexto de subsidiar informações para a gestão da região. 

O IPi tem atuado em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (SDS), através do Centro Estadual de Unidades de Conservação (CEUC) com recursos parciais do Programa ARPA. Nesta trajetória o IPi contou com o apoio da Wildlife Conservation Society (WCS) e do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), decisivos para a manutenção de suas equipes na execução de pesquisas que hoje orientam a finalização do Plano de Gestão da RDS-PP. Além disto, tal aporte financeiro foi responsável pelo estabelecimento de infraestrutura de apoio à pesquisa e extensão do IPi que existe, hoje, dentro da Unidade de Conservação. Isto ressalta o papel importante que as parcerias entre governo e organizações civis, e suas articulações, podem ter para contribuir na consolidação dos objetivos das unidades de conservação, dando mais um passo para enfrentar o desafio já antecipado por Euclides da Cunha ao navegar pela “inconstância tumultuária das infindáveis curvas” das artérias do Purus até a sua origem, no Pucani, em 1905.


O Instituto Piagaçu

Desde sua criação, pesquisadores, técnicos e colaboradores do Instituto Piagaçu (IPi) vêm construindo um acervo de conhecimento único e detalhado sobre os ecossistemas, a biodiversidade e as populações tradicionais na paisagem da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus (RDS-PP)P. Estes estudos são desenvolvidos em diferentes áreas do conhecimento e em colaboração com os moradores na reserva de forma participativa. A pesquisa constitui a base do Plano de Gestão para RDS-PP, em elaboração pelo Instituto Piagaçu, fornecendo as informações científicas necessárias para o manejo sustentável dos recursos naturais desta Unidade de Conservação. Diagnósticos iniciais de impactos ambientais e caracterizações de uso de recursos estão sendo considerados para recuperação das populações de pirarucu e jacaré, sobre-exploradas no passado. O conhecimento que é gerado na RDS-PP gerou publicações científicas (acesse no campo downloads) e está sendo usado como modelo para outras áreas do Amazonas como, por exemplo, para a implementação de um manejo sustentável de peixes ornamentais na região do médio rio Purus.

O IPI possui duas bases flutuantes equipadas com geradores de energia, canoas e motores de popa em dois setores da reserva, para o alojamento de alunos e pesquisadores durante o desenvolvimento de suas atividades de pesquisa e extensão na RDS-PP, além de uma sede (escritório) e um veículo institucional em Manaus.

As pesquisas desenvolvidas pelo instituto têm o objetivo de unir o conhecimento científico com o conhecimento local, em busca de estratégias eficientes para implementação de formas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. O IPI possui um grande capital social na UC, estabelecendo relações de confiança com os moradores das comunidades locais, capacitando-os para participar das discussões e decisões de gestão, como o zoneamento e ordenamento das áreas de uso e de preservação da reserva. Com isso, os moradores têm novas habilidades e conhecimentos para colaborar com a pesquisa científica (como o monitoramento participativo da biodiversidade) e para gerar renda alternativas e fontes sustentáveis de alimentação. Alguns exemplos são: o monitoramento da fauna caçada; a pesca manejada de pirarucu; a venda de peixes ornamentais e um programa para investigar as possibilidades para caça e processamento sustentável de jacarés.

Alguns moradores relataram atitudes de violência por parte de “patrões”, que são os proprietários de terras e pessoas poderosas que historicamente controlavam o acesso aos recursos naturais, muitas vezes através da coerção e patrocínio da dívida. A criação da reserva e a presença do IPi reduziu consideravelmente a violência de donos de propriedades que empregavam moradores da reserva em suas terras. O IPi tem trabalhado com a população local na moderação de conflitos e definição de regras de acesso aos recursos, como a Castanha da Amazônia. Este trabalho vem oportunizando aos moradores possibilidades de participação ativa nas discussões e decisões acerca de suas áreas de vida, objetivando a melhoria da qualidade de vida dos moradores locais.

Além desta atuação, prioritariamente desenvolvida na região do baixo rio Purus, temos também colaborado com outras iniciativas, como é o caso da Terra Indígena Apurinã Itixi-Mitari e da Terra Indígena Mura do Lago Ayapuá, nas quais o IPi vem colaborando na elaboração e implementação dos Planos de Gestão Territoriais. Somando a estas, o IPi também tem colaborado com o povo Paumari, nas Terras Indígenas Paumari do rio Tapauá, contribuindo na implantação do Plano de Gestão Territorial com acessoria ao Plano de Manejo Sustentável de Pirarucu e ao monitoramento participativo da biodiversidade. 


Nossa Equipe

Boris Marioni

Boris Marioni possui mestrado em Ciências pela Universidade de Neuchâtel-Suíça (2002) com especialização em Eco-etologia dos vertebrados. Atualmente é coordenador do Programa de Conservação de Crocodilianos Amazônicos do Instituto Piagaçu (IPI). Tem experiência na área de ecologia, com ênfase em etologia, comercio de fauna, manejo sustentável e comunidades ribeirinhas do Amazonas.

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Camila Carla Freitas

Camila Carla de Freitas possui bacharelado e licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar (2004). Mestrado em Ciências Biológicas com ênfase em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA (2008).

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Carolina Bertsch

Possui Licenciatura em Biologia e Mestrado em Ciências Biológicas pela Universidade Simon Bolívar (2007), Venezuela. Tem mais de 15 anos de experiência em projetos envolvendo as áreas de ecologia animal (principalmente de aves, com ênfases em Cracídeos), manejo de fauna silvestre, conservação com base comunitária e etnobiologia.

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Cláudia Pereira de Deus

Cláudia Pereira de Deus – Graduada em Biologia Marinha pela Faculdade de Ciências e Letras Maria Thereza, em Niterói –RJ, mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Programa de Pós-graduação do INPA e doutora em Ecologia pela UNICAMP. Trabalha na Amazônia desde 1986 atuando nas áreas de conservação, ecologia e biologia de peixes de água doce. É pesquisadora do INPA e colaboradora do Instituto Piagaçu desde 2004.

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Cleber Duarte

Possui graduação em Zootecnia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Estácio de Sá, RJ. Atualmente é doutorando em Ciências Biológicas, pelo programa  de pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

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Daniela Wolf

Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Ictiologia. Com Bacharelado em Biologia pela Universidad de Antioquia (Colômbia) e Mestrado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo INPA, a colombiana Daniela é atualmente pesquisadora do Programa de Conservação e Manejo de Recursos Pesqueiros do IPi, diretamente envolvida com o Projeto Acará-disco, que visa a pesquisa, conservação e manejo dos peixes ornamentais na RDSPP.

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Dr. Eduardo Martins Venticinque

Possui graduação em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1990), mestrado em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1995) e doutorado em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1999). Pesquisador da Wildlife Conservation Society (WCS) de 2004 a 2009 e Professor adjunto I do Depto.

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Eduardo von Mühlen

Biólogo formado pela PUCRS, com mestrado em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi / Universidade Federal do Pará. Possui experiência em pesquisas sobre ecologia, conservação e uso de mamíferos de médio e grande porte, além de uso de fauna por comunidades tradicionais da Amazônia.

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Enzio Chiarelli

Biólogo formado pela Universidade Mackenzie, mestrando em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Possui experiênca com Educação, Saúde, com ênfase  na área de vigilância sanitária, ambiental e epidemiológica. Atualmente colabora com o Instituto Piagaçu, com as atividades do Programa de Conservação e Manejo de Recursos Pesqueiros.

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Felipe Rossoni Cardoso

Felipe Rossoni - Biólogo pela PUCRS e mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo INPA. Atua na área de Ictiologia e Pesca, com atividades ligadas a ecologia, conservação e manejo de peixes amazônicos, caracterização de uso de recursos aquáticos por agrupamentos humanos, etnobiologia e organização comunitária, em comunidades ribeirinhas e indígenas amazônicas.

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Heloisa Dantas Brum

Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Morfologia Externa; Ecologia, com ênfase em Ecologia de Populações de Plantas e Conservação e Manejo de Recursos Florestais e Agrobiodiversidade.

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Irailton Bastos

Conhecido localmente como Padre, Irailton é morador da comunidade São Sebastião (Vila do Itapuru), pescador e liderança local envolvido com a conservação e manejo do pirarucu em seu setor desde o início da criação da RDS-PP. Atualmente, Padre é tecnico de Pesca do IPi, atuando principalmente em organização comunitária para a gestão dos recursos pesqueiros.

José Erickson Alvez Silva

O biólogo José Erickson iniciou suas atividades de pesquisa com quelônios em 2010 durante seu mestrado no Rio Grande do Sul, onde enfocou em sua pesquisa informações a respeito da história natural e ecologia alimentar de espécies (Acantochelys spixii, Phrynops hilarii, Trachemys dorbignii e a introduzida Trachemys scripta elegans ).

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Marina K. Leme

Nascida em Brasília e crescida no interior do estado de São Paulo, é agrofloresteira desde 2003. Graduada em ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp - Rio Claro), especialista em Gestão e Manejo Ambiental de Sistemas Agrícolas pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

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Mario Jorge

Morador da comunidade do Cáua, Mário colabora com o Insituto Piagaçu desde a criação da RDS-PP. Possui 10 anos de experiência com o monitoramento de populações de jacarés, é um grande pescador e faz parte do grupo de pescadores manejadores de pirarucu.

Murilo Arantes

Biólogo, mestre em Ecologia pelo Programa de Pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior-BADPI do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA. Tem experiência na área de Ciências Ambientais, com ênfase em Gestão Compartilhada de Recursos Pesqueiros e Educação Ambiental. Atualmente no Instituto Piagaçu é responsável pelo Programa de Monitoramento Participativo da Pesca.

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Severino Guerreiro de Brito

Conhecido como Assis, é morador da comunidade Nossa Senhora do Livramento, Uixi, e uma grande liderança comunitária. Seu pai, Sr. Manoel Guerreiro, acreano, foi o fundador da comunidade, chegando ao Lago Ayapuá na década de 1960. É pescador, caçador e agricultor. Durante muitos anos foi microscopista da comunidade, auxiliando no diagnóstico, prevenção e tratamento da malária.